O Nordeste de Angola foi povoado pelos Lunda-Quiocos hoje denominados Txokwé. Por volta de 1860, provavelmente como resultado de problemas socio-económicos, os Txokwé começaram a mover-se para o Norte e o Nordeste, descendo em cunha até ao planalto central de Angola.
Durante este período toda a sua arte tornou-se mais estática e robusta. Os escultores continuaram a produzir máscaras e objectos refinados tais como cadeiras (muitas das vezes inspiradas em modelos europeus), baús, caixas de tabaco, ceptros, cachimbos e bengalas, que mostra a riqueza e o verdadeiro gosto pelo pormenor de figuração. As distinções entre sagrado e profano permitem-nos distinguir a arte dos Txokwé de Angola e a dos Txokwé que imigraram para Norte. De qualquer maneira nem toda a escultura constitui objecto de poder e prestigio: objectos foram produzidos para uso ritualista, invocando espíritos protectores ou destruidores que podiam assegurar sucesso nas caçadas, proteger contra o mal e as doenças ou tornar uma mulher fértil.
Os Txokwé sofreram forte influência dos Estados Lunda. Na segunda metade do século XIX o desenvolvimento das rotas comerciais com os povos angolanos do litoral conduziu a um aumento do comércio de marfim e borracha. A riqueza adquirida levou a uma enorme expansão de reino abrangendo os estados Lunda. No entanto, este sucesso durou pouco tempo. Os efeitos de doenças e do colonialismo resultaram no desmembramento do território Txokwé
Os Txokwé são um povo matricialmente de agricultores, mas os homens eram também excelentes caçadores e criadores de gado.
O chefe Txokwé mais conhecido em Angola é, ainda hoje, o Mwatshisenge. A nível de organização política: os Txokwé não reconhecem um líder único manifestam lealdade a um chefe local, o qual adquire a sua posição, por descendência matrilinear do tio materno.
As aldeias são divididas em secções que são governadas pelos anciãos da família. Todos os membros da sociedade Txokwé estão classificados em duas categorias:
- Os que são descendentes de pessoas livres por via feminina;
- Os que descendem de cativos;
Os homens ou as mulheres que ocupam os cargos de poder são herdeiros e portadores de laços de parentesco, que são também históricos, estabelecidos entre os responsáveis pelo poder político, o que permite que estes responsáveis sejam portadores de uma dupla história familiar: a que lhes é própria e a do seu título. Tem uma cultura homogénea, de descendência matrilinear e poder político difuso. Toda a sua economia evolui através da agricultura, caça, comércio e mineração. O sistema de parentesco é matrilinear e classificatório. A família é habitualmente polígena, o casamento é em geral virilocal e com compensação nupcial, o alembamento.
Os Txokwé como todos os outros povos do nordeste de Angola, vivem sob a crença de um Deus. É um Deus que tudo cria e tudo manda. Este Deus não tem representação escultórica e não lhe são dirigidas preces.
Os Txokwé reconhecem Kalunga como o Deus criador de tudo e detentor do poder supremo, mas sobretudo acreditam também em vários espíritos ancestrais e naturais (Mahamba). Estes espíritos podem ser individuais, familiares ou comunitários e quem os abandonar ou desrespeitar sofrerá castigos e reprovações pessoais e colectivas. Os espíritos malignos podem ser invocados por feiticeiros (Wanga) para provocar o mal (doenças), mas que pode ser neutralizado. A forma mais comum de adivinhação entre os Txokwé é a adivinhação que consiste em lançar objectos divinatórios dentro do cesto do adivinho. A configuração dos objectos é então lida pelo adivinho para determinar a causa da doença ou da infelicidade.
A habitação tradicional Txokwé inicialmente seria de planta redonda, seguindo-se os modelos de planta quadrada e, por fim, a casa rectangular. A casa redonda ainda hoje é frequente entre os Lundas do Nordeste de Angola, onde vigoram ainda as normas sociais de vida dos antigos caçadores.
A planta circular sobreviveu por motivos religiosos. Repartem a casa em dois compartimentos: cozinha e sala de jantar num, e quarto de dormir noutro;
Muitas das casas Txokwé têm anexos constituídos pelos quintais cercados onde instalam a cozinha. Têm também silos barreados em forma de dorna com cerca de um metro de altura e construído sobre estacas.
Os Txokwé são conhecidos por celebrar e validar a corte chefal com objectos de arte. Estes objectos incluem ornamentos esculpidos em bancos e cadeiras usados como tronos. A maior parte das esculturas ancestrais são representantes da linhagem real. Bastões, ceptros, lanças e bastões entre outros são artefactos feitos para celebrar a chefia. O Txokwé manifesta um interesse especial pelas artes tendo atingido um considerável nível nos desenhos das paredes da habitação e na areia. São desenhos alusivos à exploração de mel, colheitas de frutos, caçadas, sinais de comunicação, danças e figuras humanas. Esculpem em madeira, moldam cerâmica, forjam o ferro, comerceiam e estabelecem pequenas indústrias por toda a parte. As trocas comerciais baseavam-se na troca de borracha, cera, peles, cruzetas de cobre e marfim, por artigos valiosos de alto preço: armas de fogo, pólvora, sal, peixe e tecidos. Este tipo de trocas permitia que aumentassem as suas trocas comerciais, expedições, caçadas e actividades bélicas. Poderosos e possuindo um verdadeiro arsenal de armas passaram a assegurar as necessidades económicas, estratégicas e políticas. A coragem e a tendência expansionista deste povo permitem que se apoderem de várias terras, misturando-se com as mais diversas gentes e difundindo assim a sua cultura. Mantinham contactos com ambas as costas africanas o que permitia também manter relações com os diversos povos e culturas que aí permaneciam.